A Astrologia como instrumento de geolocalização e polítca
A Astrologia como instrumento de geolocalização e política
Texto de Tati Dias com colaboração de IA
Desde o momento em que o ser humano percebe que o céu estrelado funciona como um marcador de tempo e espaço, viemos nos orientar através da observação dos astros.
Neste texto, busco trazer uma reflexão a respeito do local de levantamento de um mapa, seja ele de que tipo for.
O que significa, afinal, definir uma hora para um mapa?
O que estamos fazendo quando determinamos o momento exato em que um acontecimento começa, uma pessoa nasce ou uma determinada realidade histórica se inaugura?
A hora, na verdade, organiza o céu a partir da nossa perspectiva geolocalizada.
Mas, além da órbita da Terra e da Lua, há o Sol em seu lugar, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão, lá no espaço. E nós, aqui, estabelecemos suas coordenadas a partir de um ponto de referência que, no sistema tropical, é o ponto vernal, ou 0° de Áries, correspondente ao equinócio de março.
Os planetas estão lá, em seus lugares. Nós é que estabelecemos sistemas de coordenação para poder localizá-los, descrevê-los e estabelecer relações entre eles a partir de um determinado ponto de referência.
Então me parece que organizamos, nomeamos e relacionamos corpos celestes que foram observados desde quando? Não se sabe exatamente...
E eu tenho para mim que parte desse conhecimento foi passado de forma oral, em momentos de reunião dos clãs, das comunidades, muito antes de existir uma astrologia sistematizada como os encontros hoje. Aliás, especulado até mesmo que essa orientação celeste a qual o ser humano se conectou de forma natural e eventualmente possa ser, em alguma medida, herança de uma programação muito mais antiga, como se estivesse pré-instalada em nosso sistema operacional básico de humanóides, ainda com um intelecto e uma razão em desenvolvimento.
Afinal, a astrologia, enquanto sistema estruturado, recorre essencialmente à matemática, à geometria e à observação das relações espaciais e temporais. E me questiono se essa capacidade de consideração de padrões e estabelecimento de relações entre os acontecimentos terrestres e os movimentos celestes não teria raízes muito mais profundas na própria história da vida.
Aqui entrei, deliberadamente, no campo de especulação. Imagine algo como os primeiros organismos unicelulares já apresentando atividade eletroquímica e respondendo aos ciclos do ambiente, inseridos em um campo muito maior do que eles próprios. O Sol ainda em sua infância, a Terra se formou e a Lua, posteriormente, exercendo sobre o planeta uma influência que provavelmente foi muito diferente daquela que conhecemos hoje.
Imagine, então, que essa ligação com os ciclos celestes possa ter raízes na própria constituição primal da vida; que antes de existir consciência lógica, antes de existir linguagem e muito antes de existir astrologia, já existe uma capacidade fundamental de responder aos ritmos do ambiente.
A astrologia poderia ser, nessa perspectiva, uma elaboração cultural muito posterior de uma capacidade muito mais antiga: compreender regularidades, considerar ciclos, estabelecer relações e transformar aquilo que se observa em referência para orientar a própria existência.
Não há registro que estabeleça exatamente o momento em que o ser humano percebe, com consciência lógica e para fins de ordenação e referência, que a observação do céu poderia ajudá-lo a localizar-se no mundo, compreender os ciclos do tempo e orientar seus caminhos.
Imagine um ser humano em um barquinho, no meio do oceano.
Para onde ir?
Uma estrela surge. Ele não sabe bem, mas sente que deve segui-la, como se, indo em frente, pudesse chegar até ela. E, nesse transe, nessa travessia, ele chega à terra firme.
Então perceba que aquela estrela que o guiou até a terra merece um nome. Ela passa a ser determinada como um ponto de referência para quem está perdido ou para quem está desbravando caminhos desconhecidos.
Essa imagem me interessa porque ela nos coloca diante de uma experiência humana fundamental: antes de construirmos sistemas complexos de coordenadas, precisamos primeiro de considerações específicas.
Observamos.
Distinguimos.
Nomeamos.
Organizamos.
E, a partir dessas referências, construímos mapas.
É nesse sentido que me interessa pensar a astrologia: não apenas como um sistema de interpretação, mas como parte de uma longa história humana de observação do céu, de organização do tempo e de localização dos corpos celestes em relação à Terra e ao observador.
E, no caso do horário de nascimento, quando ele não pode ser previsto com segurança, a questão se torna ainda mais interessante.
A astrologia pode continuar dinâmica como um mapa de presságios porque, em algum momento da história, o ser humano passou a associar os movimentos dos astros a acontecimentos coletivos e, quando muito pessoal, sobretudo os acontecimentos relacionados a pessoas de grande importância na sociedade da época: reis, governantes, pessoas fora do comum que tinham em suas mãos os destinos do povo.
A astrologia serve a essas pessoas e aos seus próximos porque acontecimentos ligados a elas puderam influenciar a política local e, consequentemente, o destino da comunidade.
Essa dimensão histórica da astrologia é justamente uma das razões pelas quais me senti atraída a levantar mapas de figuras políticas de relevância no cenário mundial e, principalmente, do país onde resido: o Brasil.
E o Brasil é, aliás, o país onde eu nasci e onde o meu mapa de nascimento foi, como que, o meu carimbo de passaporte na vida.
Caso eu esteja residindo em outro lugar do mundo, certamente aplicarei a presente técnica aos personagens políticos do cenário onde estiver.
Outra motivação foi o fato de que, aqui no Brasil, o voto é obrigatório para os cidadãos que se encontram nas condições previstas pela legislação eleitoral. E, por essa prerrogativa, me senti chamada a entender um pouco mais sobre o sistema político brasileiro.
Embora eu venha de uma carreira de duas décadas no serviço público, na área da saúde pública e, principalmente, na Atenção Básica, é justamente nesse nível de atendimento que a política está muito presente no dia a dia dos servidores e dos usuários, de forma fundamental.
Até porque o sistema de saúde que hoje existe no Brasil foi construído com uma participação popular massiva. Pessoas participaram de reuniões de conselhos distritais, conselhos municipais de saúde, associações de bairro e diferentes espaços comunitários, contribuindo diretamente para a construção das políticas públicas de saúde.
A Reforma Sanitária brasileira e a construção do Sistema Único de Saúde estão profundamente ligadas a esse processo de participação social, que ganhou força durante a redemocratização e encontrou na Constituição de 1988 um marco fundamental.
O Brasil desenvolveu sua organização política contemporânea através de um processo de abertura democrática no qual a população passou a conquistar e exercer, de maneira cada vez mais ampla, o direito de participar, opinar e contribuir para a construção das instituições que organizam a vida coletiva.
E, por conta disso tudo, resolvi aplicar a Astrologia alguns enredos e personagens da cena pública e política para, de alguma forma, se possa auxiliar a esclarecer os processos que estamos vivendo coletivamente.
A crise estrutural dos poderes administrativos do Brasil.
Por qual motivo os enredos se desenvolvem dessa ou daquela forma?
O que faz com que determinados personagens apareçam em determinados momentos e ocupem determinados lugares dentro de um processo que é, ao mesmo tempo, político, histórico e coletivo?
É nesse ponto que a astrologia volta a encontrar a política.
O Brasil tem um mapa.
De acordo com o evento e o processo que se deseja estudar, temos o mapa do Descobrimento, o mapa da Independência, o mapa da Proclamação da República, o mapa das Diretas e tantos outros acontecimentos que carregam o simbolismo de um nascimento, de um renascimento ou de uma transformação nacional.
Não se trata necessariamente de procurar um “mapa do Brasil” único e definitivo, mas pode considerar que diferentes acontecimentos serão tomados como marcos de nascimento ou transformação de determinada realidade nacional, dependendo do processo histórico que desejamos investigar.
Assim como uma pessoa pode ser observada desde o seu nascimento, uma instituição, um regime político ou uma nova configuração social também pode ser estudada a partir do acontecimento que consideramos o fundador desse ciclo.
E é justamente aí que olhamos para personagens políticos.
O motivo, então, de eu trazer para o canal o estudo do mapa natal de candidatos a um pleito importantíssimo como o atual é esse: observar os personagens dentro do tempo histórico em que estão inseridos e investigar que relações simbólicas seus mapas estabelecem entre si e com os acontecimentos coletivos dos quais participam.
Vivemos um momento em que denúncias e escândalos nos soterraram de indignação e pesar, como avalanches em ondas de sujeira e ausência de virtudes.
Diante desse cenário, interprete alguns aspectos dos mapas de um candidato e de seu vice, que, de acordo com as pesquisas, apresentam uma grande possibilidade de vitória.
Trago uma leitura que considero interessante.
Fiz uma sinastria entre os mapas de Geraldo Alckmin e Lula e encontrei posicionamentos interessantes, que podem lançar luz sobre a relação entre esses dois personagens e sobre o enredo político no qual estão específicos.
Não proponho que os mapas astrológicos determinem, sozinhos, o resultado de uma eleição ou o destino de um país. O que proponho é observar esses personagens dentro do tempo em que estão inseridos e utilizar a linguagem simbólica da astrologia como uma ferramenta de investigação dos processos que se desenrolam diante de nós.
A pergunta, então, deixa de ser apenas “qual é o mapa?” e passa a ser:
que acontecimento estamos buscando como referência, de que lugar estamos observando o céu, qual tempo estamos marcando e que realidade estamos tentando compreender através desse mapa?
Porque, assim como aquele ser humano no barquinho procura no céu uma referência para encontrar a terra, nós também olhamos para o céu quando tentamos compreender o caminho que estamos atravessando.
Criamos coordenadas.
Damos nomes às estrelas.
Organizamos os movimentos.
Construímos mapas.
E, diante de decisões que parecem maiores do que nós, procuramos referências que nos ajudem a compreender onde estamos, de onde viemos e para onde estamos indo.
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